ॐ नमः शिवाय ॐ नमः शिवाय Om namah Shivaya Om namah Shivaya

21 de abril de 2008

A maior benção do Senhor Siva

Holanda, 3 de julho, 1997 (manhã)
Tridandisvami Sri Srimad Bhaktivedanta Narayana Maharaja

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O Senhor Siva, na verdade, é o mais querido de Sri Krsna, então, Krsna pode dar-lhe serviços os quais não pode dar a mais ninguém. Quando os semideuses e demônios estavam batendo o oceano de leite para obter o néctar da imortalidade, a primeira substância produzida foi um veneno poderoso e perigoso, que queimava o mundo inteiro.

Os semideuses apelaram a Sri Krsna, que os aconselhou a pedir ao Senhor Siva para que ele bebesse o veneno. Assim, eles adoraram o Senhor Siva e pediram: “Por favor, nos salve! Somente você pode nos proteger.” O Senhor Siva recolheu o veneno e o colocou em sua boca, mas, hesitou em engoli-lo, considerando: “O Senhor Krsna está em meu coração. O veneno irá afetá-Lo.” Ele então, manteve o veneno em sua garganta, que foi queimando, até que se tornasse azul.


Humildemente, o Senhor Siva falou á Narada: “Eu quero ser o amado devoto de Sri Krsna, mas, na verdade, eu não sou. Você sabe, eu sempre uso as cinzas dos crematórios, e uma guirlanda de caveiras. Todos os meus associados são fantasmas e bruxas, então, eu não sou qualificado para ser um devoto querido de Krsna. Se eu sou tão querido, por que Ele me engajaria com o modo da ignorância, na terrível função de destruir o universo? Se eu fosse um recipiente tão grandioso da Sua misericórdia, por que ele me daria a ordem de me tornar Sankaracarya e pregar uma filosofia que é contrária a Ele?”

Na verdade, mesmo que ele negue, é devido ao fato de Siva ser tão querido a Krsna que Krsna foi capaz de dar-lhe a difícil tarefa de vir como Sankaracarya. Muitas pessoas vêm adorando o Senhor Supremo somente para satisfazer seus interesses, pensando: “Deus satisfará nossos desejos mundanos simplesmente com nossa adoração.” Eles só o adoravam para, rapidamente, obter os resultados e ter suas necessidades supridas; não para agradá-lo. O Senhor Krsna pensou: “Isto é muito perigoso.” Ele chamou o Senhor Siva, e o instruiu: “Tais falsos devotos criarão grandes perturbações, então mantenha-os longe de Mim. Crie uma filosofia que ensine: ‘brahma satyam jagan mithya- (o absoluto é verdadeiro, esse mundo é falso.)’ Você deve pregar: todas as almas são Siva; todas as almas são Brahma; tudo é um. Você é Brahma, o Absoluto impessoal. Não há necessidade de adorar nenhum outro Deus; você é o Deus Supremo.’
“Relutante, o Senhor Siva perguntou á Krsna: “Por favor, o Senhor pode pedir para outra pessoa fazer isso? Eu não sou qualificado para esse serviço.” Krsna respondeu: “Não, você terá que fazer isso. No mundo inteiro, eu não vejo ninguém mais capaz de fazê-lo.

Sentindo-se envergonhado, o Senhor Siva disse a Narada: “Por fim, tive que concordar em seguir Sua ordem. Aparecendo como Sankaracarya, preguei em muitos lugares: ‘Você é Brahma, você é Brahma, você é o Brahma impessoal. O mundo inteiro é falso. ’ Lamento muito por ter feito isso. Sei que cometi uma grande ofensa fazendo que tantas pessoas se tornassem contrárias ao Senhor Krsna. Ainda assim, para executar Sua ordem espalhei essa doutrina. Está claro, pelo fato de Ele me dar tais ordens, que eu não sou o Seu mais querido”.

Trapaceando os trapaceiros

O Senhor Siva expressou a Narada seu arrependimento em ter dado bênçãos aos inimigos do Senhor Krsna. Para realizar os desejos de Krsna, ele deu bênçãos a demônios como Ravana, Vrkasura, Salva e Jayadratha e, desta forma, ele realizou atividades que eram, aparentemente, opostas ao Senhor Krsna e a Krsna-bhakti.

Narada Muni disse: “Mestre, por favor, não tente enganar-me. Sei que, tudo o que você faz é para satisfação do Senhor Krsna e para ajudá-Lo em seus passatempos, para o beneficio de todos os seres. Você me disse que, muitas vezes, deu bênçãos aos inimigos dEle. Os inimigos dEle, assim como os inimigos dos primos dEle, os Pandavas, o adoram para obter bênçãos com a intenção de usá-las para o mal. Eu também sei que você concede a eles bênçãos, mas essas bênçãos não são infalíveis; elas sempre têm um ponto fraco.

Na verdade, você engana essas pessoas somente para agradar Krsna. “Você é, sem dúvidas, Seu melhor amigo”.

Siva e Narada continuaram a discutir alguns incidentes históricos que, de acordo com Siva, provavam que ele não era querido por Krsna, mas, de acordo com Narada, provavam o oposto.

Um ponto fraco

O grande épico Mahabharata nos conta sobre o Rei Jayadratha, um dos tantos demônios que receberam tal bênção astuta do Senhor Siva. Duryodhana, o primo paterno dos cinco irmãos pandava, deu sua irmã Dushala em casamento ao Rei Jayadratha, assim, o Rei passou a ser considerado cunhado dos Pandavas. Certa vez, Jayadratha tentou seqüestrar a esposa dos Pandavas, Draupadi, pois tinha o grande desejo de fazer dela sua esposa. Sendo forçada a entrar na carruagem, ela avisou-o, chorando: “eu sou a esposa dos pandavas. Quando você for pego, será punido e morto!”

A arrogância de Jayadratha impediu-o de ouvi-la, dando continuidade ao seqüestro. Enquanto isso, o sábio Narada aproximou-se dos Pandavas e informou-os: “Oh, eu vi Jayadratha levando Draupadi embora e ela estava chorando!” - Dois dos Pandavas, Bhima e Arjuna, imediatamente, saíram atrás dele. Bhima desceu de sua carruagem e correu mais rápido que os cavalos de Jayadratha. Com seu arco e flecha, Arjuna criou um círculo de fogo que rodeou a carruagem de Jayadratha, que foi capturado e não pode se mexer. Ele foi severamente espancado por Bhima e preso por Arjuna, amarrado à carruagem e levado para onde Yudhistira Maharaja encontrava-se com Draupadi.

Bhima e Arjuna falaram com Yudhistira, seu respeitável irmão mais velho. Bhima insistiu: “Eu quero matar Jayadratha. Por favor, ordene-me a matá-lo”.

Apoiando Bhima, Arjuna disse: “Jayadratha cometeu uma ato hediondo e deve ser morto”.

O rei Yudhistira respondeu: “A ofensa foi cometida contra Draupadi. Devemos levar o caso até ela, e faremos o que ela mandar!”

Quando Jayadratha foi trazido aos pés de Draupadi, ela, misericordiosamente, pediu a seus maridos: ‘”Não o matem; perdoem-no. Ele é nosso cunhado. Se vocês o matarem, sua prima-irmã será viúva e lamentará pelo resto de sua vida”.

Bhima e Arjuna então, foram ao Senhor Krsna e apelaram: “O que devemos fazer? Juramos matar Jayadratha e agora, Draupadi nos pede para perdoá-lo”.

Krsna respondeu: “Para alguém que já foi honrado, a desonra é pior do que a morte”.

Arjuna raspou o cabelo do Rei Jayadratha, deixando cinco mechas de cabelo e ele raspou a barba apenas de um lado de seu rosto. Jayadratha sentiu-se humilhado e, depois de ter sido liberado por Bhima e Arjuna, ele achava melhor ter sido morto. Ele pensou: “De qualquer irei me vingar”. Pensando assim, ele foi a Gangotri nos Himalayas e adotou uma penitência severa para satisfazer o Senhor Siva.

Depois de alguns meses, ele abandonou o consumo de comida, água e atividades corporais e estava quase morrendo. Nesse ponto, o Senhor Siva veio e perguntou que bênção ele queria como resultado de tanta austeridade. Jayadratha respondeu: ”Eu quero vingança contra os Pandavas. Quero derrotar e matar todos eles”. O Senhor Siva disse: “Você pode derrotar os Pandavas, mas, somente Yudhistira, Bhima, Nakula e Sahadeva; Arjuna não”. Jayadratha disse: “Se esse pedido não pode ser completamente satisfeito, então, por favor, conceda que nem Arjuna, nem ninguém será capaz de matar-me”. O Senhor Siva respondeu: “Posso conceder-lhe o seguinte: se sua cabeça for cortada e cair ao chão, a pessoa que causou isso morrerá imediatamente. Sua vida será salva e sua cabeça será restituída ao seu corpo. Você poderá ser morto centenas de milhares de vezes, mas, você não morrerá. De outra forma, se sua cabeça decepada cair nas mãos de seu pai e ele a jogar no chão, então, você morrerá”. Jayadratha estava satisfeito, pensando: “Meu pai nunca faria isso”.

Quando a batalha de Kuruksetra começou, Jayadratha adotou o lado dos inimigos dos Pandavas, Duryodhana. Numa tarde, durante a batalha, quando o sol estava se pondo, o pai de jayadratha estava absorto orando e fazendo uma oferenda de água ao deus do Sol. Arjuna viu esse momento oportuno. Com um hábil arremesso de uma flecha, ele separou a cabeça de Jayadratha de seu corpo e fez com que a cabeça caísse nas mãos de seu pai que estava meditando. Assustado e sem pensar, o pai de Jayadratha jogou a cabeça no chão. Então, abrindo os olhos, indagou: - O que era aquela coisa molhada? Vendo que ele acabara de jogar a cabeça de seu filho ao chão, começou a chorar, “Oh meu filho! Oh meu filho! Você está morto agora!”

Uma bênção astuta

Invejoso de Krsna e com o desejo de ter o poder para destruí-lo, o demônio Salva também se abrigou no Senhor Siva. Ele praticou uma severa austeridade e não comia mais do que um punhado de cinzas diariamente. Depois de um ano, o Senhor Siva ficou satisfeito e concedeu-lhe o pedido de uma benção.
Salva implorou ao Senhor Siva um aeroplano, dizendo: “Esse aeroplano deve agir como eu desejar; deve ser operado pela minha mente. Pela minha ordem ele deve ir ao céu e onde quer que eu deseje. No verão ele deve ser ventilado. Se tiver somente duas pessoas, então deve haver somente dois assentos e, se eu quiser viajar com centenas de milhares de pessoas, vários assentos devem se manifestar. Ele nunca deve quebrar, ter problemas mecânicos e deve ser equipado com todos os tipos de armas. Deve ser perigoso e atemorizante para os Yadus.”

O Senhor Siva concordou. Salva teve a ajuda do demônio Maya Danava para manufaturar o aeroplano místico, que começou a destruir Dvaraka, a morada do Senhor Krsna. Salva atacava do céu e seus soldados, do solo. Liderados por Pradyumna, os guerreiros da dinastia dos Yadus lutaram contra Salva e seu exército, mas, não podiam derrotá-los.

Finalmente, o Senhor Krsna apareceu pessoalmente no campo de batalha e, depois de uma luta intensa de ambos os lados e muitas exibições místicas de Salva, o Senhor pegou seu disco, cortou a cabeça do demônio e deu-lhe liberação.

Dessa maneira, as bênçãos dadas pelo Senhor Siva para os inimigos do Senhor Krsna sempre têm um ponto fraco. O Senhor Siva é extremamente esperto e ele está sempre servindo seu Senhor, Sri Krsna. Narada sabia desse fato e queria tornar públicas as glórias do Senhor Siva. Siva é muito íntimo e querido pelo Senhor Krsna, e não-diferente dEle. Tente honrá-lo sempre. Porque ele é o melhor devoto do Senhor Krsna.

Nimna-ganam yatha ganga

devanan acyuto yatha

vaisnavam yatha sambhuh

purananam idam tatha

Srimad-Bhagavatam (12.13.16)

Assim como o Ganges é o mais elevado de todos os rios, O Senhor Acyuta (Krsna) o supremo entre as deidades e O Senhor Sambhu (Siva), o mais elevado dos Vaisnavas, O Srimad-Bhagavatam é o mais elevado de todos os puranas.

O Princípio de Siva

O princípio de Siva - siva-tattva - é extremamente complexo. O princípio de Brahma não é tão complicado, porque O Senhor Brahma é sempre uma jiva, uma alma espiritual finita. Ás vezes, quando não há uma jiva qualificada, o Senhor Visnu (a expansão de Krsna), pessoalmente toma o posto de Brahma, mas isso é raro. O Senhor Siva não é assim; ele não é uma alma finita.

Depois de passar as oito camadas materias, e depois de atravessar o Viraja (o rio que divide o mundo material e o mundo espiritual) e o planeta do Senhor Brahma (o planeta material mais elevado), você chega ao planeta de Siva. Lá, ele é conhecido como Sadasiva, uma manifestação do Senhor Visnu.

Siva-tattva pode ser compreendido pela analogia do iogurte e do leite. Iogurte nada mais é do que uma transformação do leite. O leite pode se tornar iogurte, mas o iogurte não pode se tornar leite. Essa analogia é encontrada no livro Sri Brahma-Samhita e esclarecida no comentário de Srila Jiva Gosvami: “Assim como o leite se torna iogurte, pelo contato de um agente transformador, Sri Govinda, O Senhor Krsna, similarmente aceita a forma de Sambhu (Siva), com uma finalidade especifica.” O exemplo de iogurte é na verdade dado com o objetivo de passar a idéia de causa e efeito, não a idéia de transformação. Sri Krsna é Realidade e não pode ser transformado, então não é possível pra Ele submeter-se a nenhum tipo de distorção. Uma pedra de toque manifesta várias coisas de acorde com o desejo de alguém, ainda assim mantém sua natureza constitucional imutável.

Ramesvara Mahadeva

Quando Sri Ramacandra estava construindo uma ponte para Lanka, ele estabeleceu uma Siva-linga (uma deidade do Senhor Siva), chamada Ramesvara. Todas as pessoas da área começaram a glorificar o Senhor Siva, dizendo: “Ramesvara ki jay! Você é isvara de Rama, o Senhorde Rama:” Os semideuses estavam insatisfeitos com isso, e então anunciaram através de uma voz aérea, “Ramas ca asau isvarah: Rama é Deus, e Sankara também é Deus; eles são os mesmos.” Ouvindo isso, a Siva-linga quebrou. O Senhor Siva apareceu da linga e disse a todos eles: “Vocês são todos tolos; vocês não sabem minha tattva, a verdade sobre minha identidade. O Senhor Rama é meu amado e meu Deus, e é por isso que sou chamado Ramesvara”.

Concedendo Amor Perfeito

O Senhor Siva reside eternamente na morada do Senhor Krsna, Vrndavana, onde ele aparece em várias formas para prestar serviço devocional a Krsna. A forma de Gopisvara Mahadeva foi manifestada pelo desejo do Senhor Krsna. Quando Krsna desejou realizar a dança da rasa, Srimati Radhika, a personificação de sua potência de prazer, manifestou-se de Seu lado esquerdo e Gopisvara Mahadeva de Seu lado direito. A forma de Siva que reside em Kasi ou Kailasa no mundo material, é uma manifestação parcial do Sadasiva original (Gopisvara Mahadeva) em Vrndavana. As outras várias formas de Siva geralmente adoradas são expansões de Sadasiva. Elas não são a original. Expansões parciais, tais como, Pippalesvara Mahadeva, Bhutesvara Mahadeva, Rangesvara Mahadeva e outras, não podem conceder a benção que pode ser alcançada pela misericórdia de Gopisvara - a perfeição mais elevada do amor, chamado vraja-prema.

Srila Raghunatha dasa gosvami compôs uma oração em seu Vraja-vilasa-stava:

muda gopendrasyatmaja bhuja parisranga nidhaye

sphurad gopirvrndair yam iha bhagavam pranayibhih

bhajadbhistair bhaktyas vamabhilasitam praptam acirad

yamitire gopisvaram anudinam tam kila bhaje

Diariamente eu adoro Gopisvara Mahadeva, que está situado nas margens do Yamuna. Esse mesmo Gopisvara que era adorada com profunda devoção pelas gopis, e que rapidamente realizava seus desejos de obter a jóia supremamente valiosa, na forma do abraço do filho de Nanda Maharaja [Krsna].

Srila Sanatana Gosvami, o grande santo Vaisnava, que residia em Vrndavana perto do antigo templo Sri Madana-Mohana, costumava ir diariamente ver Gopisvara Mahadeva em seu templo. Certa vez, na velhice, Sanatana Gosvami teve um sonho onde Gopisvara Mahadeva apareceu e o instruiu: “Agora na velhice, por favor, não se dê a tanto trabalho para me ver.” Sanatana Gosvami respondeu: “Eu continuarei vindo. Não posso mudar esse hábito.” Gopisvara Mahadeva disse: “Então eu ficarei bem perto de sua residência, aparecendo em Bankhandi.” No dia seguinte, Sri Gopisvara Mahadeva apareceu em Bankhandi, que ficava na metade do caminho entre seu templo original e a residência de Sanatana Gosvami. Vendo isso, Sanatana Gosvami ficou inundado de êxtase transcendental, e a partir daquele dia ele visitou diariamente Bankhandi Mahadeva.

Onde quer que estivesse, Srila Sanatana Gosvami não podia viver sem seu amado Senhor Siva – Gopisvara Mahadeva e Bankhandi Mahadeva em Vrndavana, e Kamesvara Mahadeva na floresta Kamyavana. Em Govardhana, ele ficava perto de seu querido amigo, Cakresvara Mahadeva, que ganhou esse nome quando serviu a Colina de Govardhana e os Vrajavasis, segurando seu tridente como uma cakra, para proteje-los do dilúvio torrencial enviado pelo rei Indra.

Anteriormente, O Senhor Siva pediu a Sri Krsna uma benção, para poder presenciar seus passatempos infantis. Krsna mandou que ele ficasse em Nandagaon, na forma de uma colina. Siva seguiu a ordem e tornou-se a Colina Nandisvara, e então ele ficou conhecido como Nandisvara. (O Senhor Brahma tornou-se Brahma-parvata, a montanha que fica no lugar onde Srimati Radhika nasceu, Varsana. Pelo fato do Senhor Brahma ser tão próximo à Srimati Radhika, ele também é nosso Gurudeva.)

Nós honramos o Senhor Siva como um grande Vaisnava e como Guru. Não o adoramos separadamente. Nós observamos Siva-ratri, o aparecimento do Senhor Siva, e o glorificamos na relação que ele tem com Krsna. Srila Sanatana Gosvami escreveu em seu Hari-bhakti-vilasa, que todos os Vaisnavas devem festejar Siva-carturdasi (Siva-ratri). O Senhor Siva, aquele em que residem todas as boas qualidades, deve ser certamente honrado pela comemoração desse dia.


shiva

Gopisvara Mahadeva em Vrndavana, U.P Índia


Nós oferecemos reverências ao Senhor Siva com orações como essa:

vrindavanavani-pate! Jaya soma soma-maule

sanaka-sanandana-sanatana-naradedya

gopisvara ! vraja-vilasi-yuganghri-padme

prema prayaccha nirupadhi namo namas te

(Sankalpa-kalpadruma 103)


Ó guardião de Vrndavana! Ó Soma, todas as glórias a você! Ó você que tem a testa decorada com a lua, e que é adorado pelos sábios encabeçados por Sanaka, Sanandana, Sanatana e Narada! Ó Gopisvara! Desejo que conceda sobre mim prema pelos pés de lótus de Sri Sri Radha-Madhava, que executam alegres passatempos em Vraja-dhama, eu ofereço reverências a você repetidamente.

Pela benção de Siva

Um brahmana em Kasi Varanasi certa vez orou ao Senhor Siva: “Eu quero dar a mão da minha filha em casamento, mas eu não tenho dinheiro. Por favor, dê-me dinheiro”. O Senhor Siva disse: “Vá à Vrndavana e encontre Srila Sanatana Gosvami. Você pode pedir a ele recursos para o casamento de sua filha.” O brahmana foi a Vrndavana, andando, e lá ele perguntou às pessoas, onde morava uma pessoa chamada Sanatana Gosvami. Como todos o conheciam, indicaram sua residência.

Srila Sanatana Gosvami estava praticando bhajana perto do Rio Yamuna, em Kaliya-hrada, a antiga morada da cobra venenosa chamada Kaliya. Kaliya-hrada era perto do Yamuna, portanto, as redondezas eram cheias de areia. Srila Sanatana Gosvami usava somente uma peça simples de roupa. Ele costumava mendigar de porta em porta por um pouquinho de prasadam (os restos da comida de Krsna), e ele comia somente um chapatti seco (pão achatado), sem sal.

O brahmana chegou a cabana de Sanatana Gosvami e disse a ele: “Eu fui a Sankara Mahadeva, Senhor Siva, e ele me disse para lhe encontrar. Disse que você daria-me algum recurso para o casamento de minha filha.” Sanatana Goswami respondeu: “Eu não tenho posses alguma. Você pode ver que não tenho nada além de uma roupa velha.” Então ele pensou: “Oh! Siva não mente. Ele é meu melhor amigo.” Pensando no Senhor Siva e tentando encontrar a solução, ele lembrou-se de uma pedra dos desejos que tinha largado e se esquecido. Agora ele disse ao brahmana: “Vá até o Yamuna, remova um pouco da areia, e então encontrará uma pedra dos desejos. Esta lá em algum lugar na areia, mas eu não me lembro aonde.”

O brahmana encontrou a pedra, encostou-a no ferro, e o ferro transformou-se em ouro. Ele estava muito, muito feliz, do Senhor Siva ter dito a ele para ir á Vrndavana, e com muita gratidão pensou: “Minha oração foi atendida por ele.” No caminho para casa, no entanto, sua ambição por dinheiro aumentou e ele começou a pensar: “Por que Sanatana Gosvami deixou a pedra dos desejos na areia? Ela não tinha utilidade lá. Ele deve ter jóias ainda mais valiosas.”

Ele então retornou, e Sanatana Gosvami perguntou: “Por que você voltou?” Ele respondeu: “Eu voltei por que eu sei que você deve ter jóias mais valiosas que essa. Sanatana Gosvami então disse: “Vá e jogue essa pedra no Yamuna”. O brahmana então jogou com toda sua força, e Sanatana Gosvami disse-lhe: “Venha cá, venha cá.” E deu-lhe o Mantra: “Hare Krsna Hare Krsna Krsna Krsna Hare Hare, Hare Rama Hare Rama Rama Rama Hare Hare: e disse: “Eu não tenho jóias materiais, mas tenho jóias transcendentais. A jóia do Senhor Krsna e de Srimati Radhika virão pra você em pouco tempo. Então permaneça aqui. O casamento de sua filha acontecerá automaticamente. Fique aqui e cante Hare Krsna.” O brahmana seguiu suas instruções e tornou-se um santo muito elevado.


Pintura do Senhor Siva feita por: Syamarani dasi
Conselheiros editoriais: Sripad Madhava Maharaja and Sripad Brajanatha dasa
Editor: Syamarani dasi
Transcritor: Vasanti dasi
Datilógrafa: Jai Sri dasi
Tradução para o português: Lalita Prya dasi